20 de março de 2019

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Dia das mulheres com programação de luta e contra retrocessos

Além da grande tenda que abrigou o evento, teve ainda estandes menores de sindicatos

Centenas de mulheres circularam na manhã de sexta-feira, 8 de março, no Largo Glênio Peres, centro de Porto Alegre. A programação unificada do Dia de Luta das Mulheres na cidade começou por volta das 6h com a instalação de uma grande lona, seguida por uma feira orgânica de alimentos da reforma agrária e um café da manhã coletivo. Ao longo do dia, a comercialização de produtos seguiu, assim como a confraternização entre as mulheres, com debates e apresentações artísticas.

 

Além da grande tenda que abrigou o evento, teve ainda estandes menores de sindicatos, advogadas e coletivos, e o ônibus da Defensoria Pública, que esteve até as 12h no local fazendo um mutirão de atendimentos gratuitos. Em torno da estrutura montada, diversas bancas promoviam o comércio entre mulheres, com a venda de produtos da reforma agrária, livros voltados à agroecologia e ao movimento feminista, artesanato indígena, roupas e itens diversos com mensagens feministas, produtos de higiene pessoal, entre outros.

 

 

A programação foi articulada de forma conjunta entre mais de uma centena de movimentos e culmina em um grande ato que tem concentração marcada para as 17h. No centro das atividades, uma bandeira com o rosto da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada há um ano, marcava a homenagem a ela, que foi citada diversas vezes ao longo das atividades.

 

Dentre as pautas deste Dia da Mulher, além da demanda de justiça para Marielle, estão ainda repúdio à reforma da Previdência proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL); a defesa dos direitos reprodutivos, com ênfase na legalização do aborto; e o combate às diversas violências contra a mulher.

 

Sindiserf/RS presente

O Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS) esteve presente durante todo o dia no Largo Glênio Peres. As diretoras e os diretores da entidade se revezaram no gazebo do Sindicato, instalado ao lado da tenda que recebia os debates, para dialogar com a sociedade sobre as pautas das mulheres e entregar materiais sobre assédio moral e o panfleto unitário do Dia Internacional das Mulheres.

 

 

 

“A unidade das mulheres trabalhadoras construiu um 8 de março combativo e diverso, em Porto Alegre. Desde o início da organização, as servidoras públicas federais estavam presente”, destaca a secretária geral adjunta do Sindiserf/RS, Eleandra Raquel da Silva Koch. Para ela, essa unidade é fundamental, pois “é dessa forma que construíremos a defesa da aposentadoria e lutaremos por nenhum direito a menos”.

 

Na ocasião, as diretoras e servidoras públicas gravaram um vídeo sobre o 8  de março, confira aqui.

 

As violências contra as mulheres

O primeiro painel do dia teve como tema o “Feminicídio, violência contra as mulheres e direitos reprodutivos”. As palestrantes destacaram a conexão entre esses três temas, os quais estão relacionados com algumas das principais demandas do movimento de mulheres.

 

As participantes do painel trouxeram alguns dados para explicitar a gravidade dessas violências. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que sete em cada dez mulheres do mundo já sofreram algum tipo de violência.

 

 

Reforma da Previdência é ainda mais cruel com as mulheres

O ponto central da programação na parte da tarde foi a discussão do painel “Reforma da Previdência: impactos na vida das mulheres trabalhadoras do campo e da cidade”, com a necessidade de se derrotar totalmente a reforma da Previdência encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso em fevereiro.

 

Maria do Rosário defendeu que não há como remendar a reforma apresentada por Bolsonaro e que ela precisa ser repelida em em sua íntegra. “Ela parte de um pressuposto errado, que é de um déficit falso, definido no caso deste governo pela não contabilização dos recursos que deveriam ser pagos pelo próprio Estado e pelos sonegadores. O governo não faz nada com os sonegadores, não faz nada para gerar empregos que poderiam aumentar o número de contribuições, só ataca pela via fiscal. Essa receita é velha, atrasada, é ultra neoliberal, não deu certo em nenhum lugar do mundo, só precariza as relações humanas e, portanto, tem que ser votada inteiramente contra”, afirmou.

 

Para Rosário, o estabelecimento da idade mínima de 62 anos para mulheres e a necessidade de 40 anos de contribuição para a obtenção da aposentadoria integral tornará a perspectiva da aposentadoria em uma “miragem”. Além disso,“os homens terão grande dificuldade, mas as mulheres terão ainda mais dificuldades de chegar à aposentadoria integral. A estrutura da reforma cobra de todos, mas é cruel com as mulheres”, disse a deputada.

 

 

Fernanda Melchionna destacou que a reforma torna-se mais injusta se olhada do prisma da variação da expectativa de vida de estado para estado, e até mesmo entre diferentes regiões de cidades. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Brasil, em 2017, era de 76 anos. No entanto, há uma grande variação entre os estados. Em Santa Catarina, a expectativa é de 79,4 anos, enquanto no Maranhão é de apenas 70,9 anos.

 

Há uma variação ainda maior entre áreas ricas e pobres de cidades. Segundo o Mapa da Desigualdade 2018, realizada pela Rede Nossa São Paulo, a expectativa de vida no bairro dos Jardins, o mais rico da capital paulista, é de 81,58 anos, o equivalente à população da Áustria. No entanto, em Cidade Tiradentes, na periferia da cidade, é de 58,4 anos, inferior à República Democrática do Congo, um dos países mais pobres do mundo. “É uma reforma que produz desigualdade”, disse Melchionna.

 

 

Caminhada

A programação do dia 8 de março terminou com uma caminhada pelas ruas do centro da capital gaúcha. Com bandeiras de diversos movimentos sociais, sindicatos e organizações de mulheres, mas com mensagens urgentes: chega de feminicídios, nem uma a menos, em defesa dos direitos das mulheres, pela legalização do aborto seguro e contra a reforma da Previdência.

 

“Pode chover, pode molhar, a mulherada está na rua para lutar”, falavam em coro as milhares de mulheres, e também homens, na caminhada realizada após o ato na Esquina Democrática, encerrando em grande estilo as atividades do Dia Internacional de Luta das Mulheres.

 

Fonte: Sindiserf/RS com informações da CUT-RS e Sul 21