20 de setembro de 2020

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Preços de alimentos disparam com desmonte da Conab e apoio ao agronegócio

O governo deixou de repassar crédito

O descontrole dos preços dos alimentos voltou a assombrar a população brasileira. Segundo dados do IPCA do IBGE, o arroz, acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto acumula alta de 28,92% e o carioca, de 12,12%. Destacam-se ainda a elevação nos preços do tomate (12,98%), do leite longa vida (4,84%) e das frutas (3,37%). Mas para além desses índices, os preços estão subindo descontroladamente nos últimos dias.

 

E os maiores vilões da alta dos preços não são os supermercados e empresários como Bolsonaro quer fazer acreditar. Na verdade, o grande culpado pelo que vem acontecendo no Brasil é o Governo Federal e seu incentivo ao modelo de produção do agronegócio, a monocultura, que prioriza produtos para a exportação, em detrimento da Agricultura Familiar no Brasil, responsável por cerca de 70% do que vai à mesa dos brasileiros. O que o agronegócio não produz é a agricultura familiar quem dá conta.

 

Mas tudo o que o governo Bolsonaro tem feito é retirar recursos da agricultura familiar e de políticas públicas que garantem segurança alimentar.

 

A Conab 

O desmonte da Conab é mais um exemplo do quanto o desgoverno Bolsonaro tem sido nocivo para os brasileiros e brasileiras. A Conab é uma das estatais na mira de Bolsonaro para ser privatizada. Em 2019, o governo fechou 27 armazéns da Conab responsáveis pela distribuição e controle dos alimentos e de seus preços, combate à fome, proteção a pequenos agricultores, atuação em casos de desastres ambientais, entre outras políticas.

 

Nesses armazéns da Conab, eram estocados os alimentos produzidos pela agricultura familiar e comprados pelo governo. Quando os alimentos apresentavam alta de preços, o governo vendia os estoques por preços mais baixos, exercendo um controle. Em 2013, o país tinha 944 toneladas de arroz estocados, em 2015, mais de 1 milhão de toneladas. Hoje, são apenas 22 toneladas, o que não garante nem uma semana de consumo no país. Atualmente, o agronegócio controla os preços e consegue obter mais lucro vendendo a produção para outros países, devido à alta do dólar, desabastecendo o mercado nacional.

 

Importante destacar que além de fechar os armazéns da Conab, o governo está promovendo o desmonte do órgão como um todo e a desvalorização de seus trabalhadores. Desde junho de 2019 que os servidores tentam negociar o seu ACT sem sucesso.

 

Desemprego

Outro fator que influencia a alta dos preços é o recorde histórico do desemprego no Brasil, graças à política econômica deste governo. Quando a pandemia chegou ao país, entre fevereiro e março, o mercado de trabalho local já vivia uma situação trágica. O Brasil possuía em torno de 40% da força de trabalho na informalidade. No início de março, mais de 12 milhões de trabalhadores e trabalhadoras estavam desempregados. Mais cinco milhões em desemprego por desalento (aqueles que estão desempregados, mas não estão à procura de emprego). Com a soma, eram 17 milhões. Isso em dados oficiais. Estávamos com altos níveis de subemprego. E o único trabalho que se expandia era o trabalho uberizado com baixa remuneração. Com a pandemia, a situação se tornou ainda mais trágica.

 

Um dos resultados diretos do desemprego é a redução do poder de compra da população. Com a queda nas compras, os preços dos alimentos também sobem. A explosão dos preços coincide com os reflexos da pandemia, quando milhares de pessoas, em especial as mais pobres, foram demitidas ou tiveram a renda reduzida. No caso dos informais que dependem das ruas para vender seus produtos, a renda foi zerada.

 

Como baixar os preços?

O governo conseguiria reduzir os preços dos alimentos se voltasse a investir em políticas públicas, como a de abastecimento e controle de preços dos alimentos e proteção à agricultura familiar. mas Bolsonaro já disse que não irá intervir.

 

Desde o início da pandemia, as entidades que representam os trabalhadores na agricultura familiar já alertavam para a possibilidade de alta nos preços nos alimentos, uma vez que o governo deixou de repassar crédito para produção e comercialização de seus produtos e os estoques da Conab foram zerados.

 

 

Fonte: Sindsep-PE