23 de outubro de 2019

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Um presidente cafona, mas nossa gente/ambiente não pode ser porcaria…

Nos últimos tempos, temos observado uma degradação acentuada de nossos recursos naturais, em nome do desenvolvimento econômico. Em Minas Gerais, a mineração descompromissada. Em Altamira, a maior queimada da história do Pará. Em Porto Alegre, um megaprojeto na mira.   É de conhecimento público que um grupo localizado em Altamira e Novo Progresso, de aproximadamente […]

Nos últimos tempos, temos observado uma degradação acentuada de nossos recursos naturais, em nome do desenvolvimento econômico. Em Minas Gerais, a mineração descompromissada. Em Altamira, a maior queimada da história do Pará. Em Porto Alegre, um megaprojeto na mira.

 

É de conhecimento público que um grupo localizado em Altamira e Novo Progresso, de aproximadamente 70 pessoas, combinou através das redes sociais praticarem um crime ambiental, incendiando as margens da BR-163, no estado do Pará. O grupo sintonizado com o discurso presidencial, queria demonstrar apoio as políticas de “aliviar” a fiscalização do Ibama, e talvez se livrarem de multas de infrações ambientais.

 

A destruição da floresta amazônica já vinha sendo denunciada pela imprensa internacional, foram previstas com antecedência por diversas ONGs, órgãos de pesquisa e comunidade acadêmica. Também, o Ministério Público Federal (MPF) do Pará comunicou o Ibama, através de ofício, da intenção de “produtores rurais” daquela região de realizar um grande incêndio, como forma de manifestação. Qual foi a reação do presidente cafona? Demitir o cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e ainda insinuar que ONGs estariam realizando as queimadas.

 

Em Minas Gerais também tivemos crimes ambientais que causaram grandes impactos negativos. Diversos cursos d’água estão comprometidos e comunidades inteiras foram afetadas. Com a destruição de ecossistemas e a perda de biodiversidade, os prejuízos são incalculáveis. Perde a comunidade local, perde a região, perde o país e perde toda a humanidade.

 

No Sul do Brasil, grupos econômicos tem interesse em explorar uma mina a céu aberto, em área de quatro mil hectares, nas proximidades de Porto Alegre. Eles pretendem explorar milhões de toneladas de carvão mineral. O objetivo do projeto é utilizar o minério existente no local, para uso em gaseificação, termoelétricas, ou mesmo um Polo Carboquímico, da empresa Copelmi Mineração. O projeto “Mina Guaíba” representa uma ameaça a áreas de influência fluvial, ecossistemas de banhados, restingas e floresta estacional decidual, presentes naquela região da Área de Proteção Ambiental Estadual Delta do Jacuí. Ali está presente uma rica fauna e flora fortemente associadas aos ecossistemas aquáticos. Precisamos garantir a conservação do conjunto paisagístico e da cultura regional, que o local representa para todo o povo gaúcho.

 

No Brasil, os impactos ambientais de algumas atividades econômicas feitas de forma irresponsável, ameaçam o abastecimento de água da população. O país precisa aliar crescimento econômico com sustentabilidade. A mitigação dos impactos ambientais negativos precisa ser uma relação “ganha-ganha”, ou seja, ganha a economia, mas também ganha, o ambiente. Os megaprojetos precisam ajudar a população e o ambiente a viverem em harmonia. É preciso canalizar recursos, para proteger pessoas/ambiente dos impactos causados pelos empreendimentos econômicos. Uma produção que necessita incendiar florestas, degradar recursos hídricos, emitir gases poluentes… não se sustenta. Esse modelo de produção, que vem sendo apoiada pelo governo do presidente cafona, tem produzido desemprego e degradação. Não é sustentável!

 

Por fim, sabemos que nosso presidente é cafona, mas nossa gente é lutadora. É preciso lutar para mudar este quadro nefasto. Sabemos que toda essa destruição faz parte de um modelo de desenvolvimento atrasado e imediatista, que visa o lucro rápido. Porém, esse modelo deixa um rastro de destruição e um enorme passivo para a sociedade.

 

Álvaro Lanner é servidor público da UFGRS e secretário de Comunicação do Sindiserf/RS