4 de dezembro de 2020

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Vida, trabalho e democracia

Este 1º de Maio entrará para a história não apenas por ter sido realizado no universo das redes sociais, mas pelo fato de que a pandemia do Covid-19 evidenciou o quanto é urgente defendermos a vida, o trabalho e a democracia.   O mundo vinha em uma escalada de naturalização da morte. Diariamente, milhões de […]

Este 1º de Maio entrará para a história não apenas por ter sido realizado no universo das redes sociais, mas pelo fato de que a pandemia do Covid-19 evidenciou o quanto é urgente defendermos a vida, o trabalho e a democracia.

 

O mundo vinha em uma escalada de naturalização da morte. Diariamente, milhões de seres humanos são condenados a enfrentar a miséria que lhes é imposta. A riqueza dos bilionários e a cumplicidade de governos fantoches não salvam vidas e o futuro que arquitetam é ornado por cadáveres. De fato, a agressividade desse vírus desnuda a perversidade de um modelo de sociedade submetido à ganância do mercado financeiro e que transforma o Estado em caricatura dos interesses privados.

 

A pandemia recolocou para a humanidade o sentido da vida. Não se pode aceitar que existam corpos descartáveis, como afirmaram o presidente saído das urnas em 2018 e certos empresários irresponsáveis. A finalidade da produção e do trabalho é para que tenhamos vida digna. Nesse 1º de Maio ergueremos nossas barricadas virtuais para dizer que a banalização da morte não triunfará.

 

O coronavírus nos obrigou a entrar em quarentena, mesmo contra a vontade do presidente. De repente, percebemos o quanto os trabalhadores são essenciais. A pandemia da desvalorização salarial, da precarização das condições de saúde e trabalho e da retirada de direitos, que massacra os trabalhadores, é tão letal quanto a Covid-19. Nesse 1º de Maio levantaremos nossas vozes para defender o trabalho como direito humano, que deve ser realizado em condições seguras e protegidas.

 

O isolamento demonstra que somos interdependentes e nos oportuniza a repensar as nossas formas de convivência social. É certo que a pandemia nos mudará de alguma maneira. Avançaremos na direção de novos valores e mentalidades ou nos aproximaremos mais da barbárie. Nesse 1º de Maio evocaremos a distribuição da renda, a solidariedade e o cuidado com os mais vulneráveis. Afirmaremos que a vida em comum só é possível com mais democracia. Venceremos o vírus do ódio e do autoritarismo, que semeia o caos e nos ameaça permanentemente.

 

 

Amarildo Cenci é professor e presidente da CUT-RS